domingo, 16 de fevereiro de 2014

Dia quarenta e um.

Mais uma vez, os anúncios de emprego.


Há os anúncios de emprego coerentes. Os exagerados. Os absurdos. Os razoáveis. Os incompreensíveis. Os ridículos. Os mal escritos. Os ofensivos. Os curiosos.

E depois há os outros. Aqueles que partem de empregadores que, aparentemente, não sabem bem o que querem. Querem tudo. Ou qualquer coisa. Ou algo mais ou menos assim-assim, dependendo de infinitas circunstâncias e possibilidades consoante o dia seja de sol ou de chuva. A descrição daquilo que se pretende é longa mas vaga. Vazia, melhor dizendo. É uma não-descrição, no fundo, porque ali cabe tudo  ou nada, conforme o ponto de vista.

O que não falta por essa internet fora são guias práticos para criar currículos eficazes, e todos insistem, naturalmente, na importância de evitar os clichés. Ainda assim, quando se consultam anúncios de emprego percebe-se que, afinal, muitas das empresas querem isso mesmo: lugares-comuns. Ou então não querem, só que, visto que procuram algo mas não sabem exactamente o quê, optam por um anúncio à base de frases feitas. Pedem alguém "dinâmico, proactivo e polivalente", com "excelentes capacidades de relacionamento interpessoal, de trabalho em equipa e de gestão de tempo", que seja "organizado, responsável e perfeccionista", que possua um "bom ritmo de aprendizagem", que se sinta "preparado para trabalhar sob pressão" e que domine "as ferramentas MS Office". Em troca, oferece-se outra "chapa cinco": a inevitável "integração numa equipa jovem e dinâmica", a bendita "formação contínua", o habitual "excelente ambiente de trabalho", a incontornável "possibilidade de crescimento na carreira", e, finalmente, a cereja no topo do bolo: a "remuneração compatível com a função e a experiência demonstrada".

Bem espremidinho, bem espremidinho... Nada, aqui.

Preencher aqueles intermináveis campos do currículo destinados às competências pode ser uma pequena tortura quando insistimos em inovar, em ser diferentes, em mostrar aquilo que nos diferencia; mas, bem vistas as coisas, tanto esforço imaginativo pode nem sempre ser assim tão boa ideia. Ou, pelo menos, se calhar vale a pena ter um "currículo-chavão" pronto a enviar nestas alturas. 

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